Entenda o Mercado de Opções 6: especulando com opções

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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A compra de opções para fins de seguro é algo direto, honesto e tranqüilo. Porém, é possível comprar opções com fins meramente especulativos, ou seja, na esperança de poder vender mais caro no futuro. Neste caso, não há nenhuma intenção de assegurar, comprar ou vender nenhum ativo subjacente.

Especular é nada mais que tentar comprar barato e vender caro — não necessariamente nesta ordem, pois é possível vender a descoberto. Todo derivativo, opções inclusive, apresenta enormes variações de preço em função das oscilações do ativo subjacente. Uma opção pode perfeitamente valer 50 centavos hoje e valorizar a 5 reais amanhã. Ou vice-versa.

Essa expectativa leva muita gente a tentar a sorte negociando opções. Porém, é praticamente impossível ganhar dinheiro no longo prazo fazendo isso, por três razões básicas.

A primeira razão é que opções têm prazo de validade, após o qual viram pó. O investidor não pode “sentar em cima” de uma opção momentaneamente desvalorizada, como ele faria com uma ação blue chip.

A segunda razão é que o mercado de opções é soma-zero. Ou seja, para uns ganharem, outros têm de perder, e a soma total desses ganhos e perdas é sempre zero, depois de descontada a taxa-base de juros da economia.

A terceira razão é que, no caso das opções de compra, é o comprador quem arca com o custo da taxa de juros. Como a especulação canônica do especulador bisonho é comprar opções de compra, ele está arcando com uma taxa de juros de 13,75% ao ano. Para ele, o jogo das opções é uma soma abaixo de zero; ou seja, é praticamente certo que perderá dinheiro no longo prazo.

Em cima de tudo isso, o investidor bisonho não aprecia o real valor de uma opção; ele simplesmente compra e vende, eventualmente comprando caro e vendendo barato, sem saber.

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.

Entenda o Mercado de Opções 5: lançando opções

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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Nos exemplos acima, procuramos mostrar o que leva um investidor a adquirir opções. Agora, quem seria doido de lançar (vender) opções, considerando que assume obrigações potencialmente monstruosas ao fazê-lo?

Bem, quem lança opções tem a visão contrária de mercado. Quem lança VALEJ40, tem razoável confiança que VALE5 não subirá acima de R$ 40. Se este cenário confirmar-se, VALEJ40 vira pó, o lançado é liberado da sua obrigação, e sai com o prêmio no bolso.

De forma análoga, quem lança VALEV40, acha que VALE5 subirá acima de R$ 40, e pretende arrecadar o prêmio sem ser exercido.

Devido ao compromisso potencialmente vultoso que um lançador de opções assume, a Bolsa exige o depósito da margem em dinheiro. O objetivo da margem é fornecer fundos à câmara de liquidação, de modo que ela possa garantir as opções contra a quebra de algum investidor. Conforme a chance de uma opção ser exercida aumente ou diminua, margem adicional é exigida, ou parte da margem é devolvida, respectivamente.

Indiretamente, a exigência da margem atua como válvula de segurança, evitando que algum investidor emita quantidades muito grandes de opções sem ter a mínima condição de honrá-las.

Alternativamente, o lançador de opções de compra pode garantir as opções com o ativo subjacente — nos nossos exemplos, com ações VALE5. É uma garantia muito mais segura e cômoda, pois o lançador não precisa preocupar-se mais com a evolução do preço de VALE5.

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.

Entenda o Mercado de Opções 4: exemplo de opção de venda

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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Embora as opções de venda possuam baixíssima liquidez na BOVESPA, cedo ou tarde elas também terão seu espaço ao sol. Por isso, é importante conhecê-las desde logo.

A opção VALEV40 é uma opção de venda que vence em 20/Out e garante um preço de venda de R$ 40. Note que este preço é maior que o preço atual de VALE5, portanto esta opção de venda deve ser valiosa, pois permite a seu detentor “desovar” VALE5 a um preço maior que o de mercado.

Naturalmente, se VALE5 subir acima de R$ 40, a opção vira pó, pois não é vantajoso vender a R$ 40 se podemos vender no mercado por preço mais alto.

E quanto ao prêmio de VALEV40? Considerando os mesmos parâmetros da opção de compra, o valor teórico da opção seria R$ 4,74.

O uso canônico de uma opção de venda é garantir o capital contra depreciação. Um investidor poderia comprar VALEV40 de modo a garantir uma carteira de VALE5. Se, em 20/Out, VALE5 estiver valendo abaixo de R$ 40, o investidor exerce as opções de venda e recebe R$ 40 fixos. As opções de venda são o tijolo básico dos “fundos de capital protegido” oferecidos pelos bancos.

As opções são um instrumento poderosíssimo de engenharia financeira, que permitem construir praticamente qualquer tipo de investimento, e ganhar (ou deixar de perder) dinheiro em qualquer situação de mercado.

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.

Como investir na bolsa de valores

Como investir na Bolsa de Valores: tenho alguns posts que podem ajudar a aprender a negociar na bolsa de valores. O ideal é fazer um investimento em um curso sobre a bolsa de valores e como aplicar na bolsa de valores ou mesmo ficar um tempo em um simulador da bolsa antes de um passo mais comprometido. Em todo o caso, os artigos a seguir podem ajudar:

  1. Política de responsabilidade: leitura obrigatória. Traz informações não só sobre o site, mas sobre como investir na bolsa de valores e como se portar de forma responsável diante das informações encontradas nesta página
  2. 14 advertências se você quer mesmo investir na bolsa de valores: advertências que mostrarão se você está preparado para investir na bolsa de valores
  3. Como investir na bolsa de valores passo a passo: agora que você já se informou melhor sobre como investir na bolsa de valores, este post mostra como ingressar nessa forma de investimento passo a passo
  4. Como escolher uma corretora para operar: agora que você decidiu que fará um investimento na bolsa de valores, saiba como escolher uma corretora de valores. A corretora de valores faz o meio de campo para que você possa comprar e vender ações e é o único meio pelo qual é possível para nós, pessoas físicas, investirmos na bolsa de valores
  5. De quanto dinheiro preciso para começar na Bolsa de Valores: existe um valor mínimo para iniciar seu investimento? Conheça todas as possibilidades
  6. Que dinheiro investir: sabendo qual o mínimo e como investir na bolsa de valores, saiba qual dinheiro você pode investir e qual dinheiro não pode para não prejudicar suas finanças
  7. 5 mentiras sobre a Bolsa de Valores: alguns preconceitos que podem impedir você de colocar parte de seu capital na bolsa de valores

Como investir na bolsa de valores

Estes posts tem ainda mais links dentro deles e recomendo que você siga todos. Ao ler tudo, tenho certeza absoluta de que estará minimamente preparado para começar seus investimentos na bolsa de valores. Boa sorte e bons investimentos!

Entenda o Mercado de Opções 3: exemplo de opção de compra

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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Vamos a um exemplo prático. A opção VALEJ40 é uma opção de compra, que vence em 20/Out, e garante um preço de compra de R$ 40.

Considerando que VALE5 vale apenas R$ 35 no momento, por que alguém pagaria pelo direito de comprá-la a R$ 40? Não parece fazer sentido — a não ser que o investidor acredite que VALE5 vá disparar até o vencimento. Digamos, se VALE5 subir para R$ 45, o exercício da opção economiza R$ 5 por opção.

Talvez o investidor esteja sem dinheiro para investir em VALE5 agora, mas tem certeza absoluta que ela vai subir muito, e pretende meter o pé na porta. Assim, ele garante o preço de R$ 40 para um momento futuro, quando ele terá o dinheiro para efetivamente exercer a opção e adquirir
VALE5.

Se VALE5 mantiver-se abaixo de R$ 40 até o vencimento, a opção vencerá e virará pó. Ou seja, o prêmio pago por ela será completamente perdido, da mesma forma que um seguro sem sinistros.

Agora, qual seria o prêmio adequado para esta opção? Para responder a esta pergunta, primeiro precisamos entender a volatilidade, que é o “nervosismo” do preço da ação, no caso VALE5.

Se tivéssemos certeza que VALE5 não tem nenhuma chance de subir acima de R$ 40, então saberíamos que a opção VALEJ40 não vale nada, pois nunca teríamos chance de usar o direito de compra.

Naturalmente, ninguém tem certeza de nada no mercado. Para determinar o prêmio de VALEJ40, precisamos determinar a volatilidade de VALE5, da mesma forma que uma seguradora leva em conta estatísticas de acidentes e roubos para calcular o prêmio do seguro.

Supondo que a volatilidade de VALE5 é de 35% ao ano (ou seja, pode subir ou cair 35% ao ano, em média), podemos lançar mão de qualquer calculadora de opções que há na Internet (use uma grátis), e calcular seu prêmio.

Para os seguintes dados de entrada
: juro-base de 13,75% ao ano, strike de $40, spot de R$ 35, volatilidade de 35% ao ano, e vencimento em 39 dias (considerando de 11/Set a 20/Out), o valor do prêmio seria R$ 0,33.

A estimativa da volatilidade é um problema sério, porque ela baseia-se em dados passados. A volatilidade futura da ação pode ser completamente diferente. Assim, o prêmio de uma opção no mercado costuma ser bem diferente do estimado, conforme o mercado acreditar em volatilidade futura mais alta ou mais baixa que a histórica.

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.

Entenda o Mercado de Opções 2: Série de Opções

Este artigo faz parte da série Entenda o Mercado Opções. A série é de autoria do convidado Elvis Pfützenreuter. Ele é editor do blog #d00dzFinance e autor do livro Investindo no Mercado de Opções. Ele também oferece uma calculadora de opções Black e Scholes online, que calcula toda uma série de opções de uma vez só.

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O número de opções existentes no mercado não é regulamentado; ele depende apenas de haver investidores dispostos em lançar opções, e naturalmente outros investidores dispostos a comprá-las.

Por outro lado, os tipos de opções existentes no mercado são regulados pela Bolsa e/ou por alguma câmara de compensação. No Brasil, é a CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia) que determina os tipos de opção que podem existir na BOVESPA. Normalmente, são autorizadas opções sobre as ações de maior liquidez na Bolsa.

Em se tratando de opções sobre ações da BOVESPA, seu vencimento sempre cai na terceira segunda-feira do mês, ou dia útil seguinte. Isto significa que há apenas 12 possíveis vencimentos num ano.

Para cada ação e vencimento, é costumeiramente autorizada toda uma série de opções, com diversos strikes (preços garantidos) diferentes. Por exemplo, para a ação VALE5 (Vale do Rio Doce preferencial) cujo valor atual gira em torno de R$ 35, há opções de compra com strike em 30, 32, 34, 36, 38, 40, 42 etc. Esta variedade de strikes permite que investidores com as mais diferentes visões sobre o mercado possam comprar e/ou lançar opções.

O código (ticket) de uma opção da BOVESPA é composto da seguinte forma:

AAAA + S + KK

onde AAAA é o código da ação (no caso, VALE), S identifica o vencimento e KK identifica o strike. É costume, porém não mandatório, que KK seja igual ao strike. É importante sempre checar o strike real da opção, pois pode acontecer do sufixo KK não “bater” com o strike para algumas séries, o que faria o investidor comprar ou lançar uma opção diferente do que pretendia.

O vencimento (S) é identificado da seguinte forma para opções de compra: A=Janeiro, B=Fevereiro, C=Março e assim por diante. Para opções de venda, M=Janeiro, N=Fevereiro, etc. Ou seja, o código do vencimento também identifica se a opção é de compra ou de venda.

Elvis Pfützenreuter é mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina e graduado em Ciências Contábeis pela Universidade da Região de Joinville. É pesquisador e professor na área de informática. Trabalha no desenvolvimento de sistemas financeiros desde 1993 e investe no mercado financeiro desde 1997.