Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível no futuro?

Esta série é foi escrita pelo psiquiatra Fernando César, editor dos blogs FTudo e Minha Padaria, para iniciantes na Bolsa de Valores.

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E há o pior cenário. Quem me mostrou ele foi Leo Huberman, no seu livro “História da Riqueza do Homem”. O livro foi escrito na década de 30 e analisa a história do capitalismo. É um livro relativamente comum, até suas últimas páginas, quando então Huberman escreve as linhas que, a meu ver, o tornam um visionário simplesmente genial.

O livro foi escrito em 1936. A II Guerra Mundial começa em 1939. Três anos antes, portanto. Três anos antes Huberman pergunta-se o que a Alemanha e a Itália estão planejando com suas políticas econômicas. Ele conclui na penúltima página de seu livro: “A resposta é curta e terrível: GUERRA”.

Guerras, para Huberman, são simplesmente movidas por necessidade de expansão de mercados, desde que o capitalismo surgiu.

Em um cenário de crise mundial, o que poderia movimentar as economias paradas, se não uma guerra? Qual a lição que os EUA retiraram das duas guerras, se não a de que seu país só ganhou, com elas?

O que custa “descobrirem” que o Irã possui as mesmas “armas de destruição em massa” que o Iraque NÃO possuía? O que custa para aquela tensão recente da Rússia com os países europeus virar uma guerra? Custa muito pouco. A I Guerra Mundial teve como estopim um fato quase tolo, o assassinato de um herdeiro do trono austro-húngaro. O barril de pólvora que já estava todo armado explodiu, então.

Não estamos dizendo que haverá a III Guerra Mundial. Com as armas que dispomos hoje, esta poderia ser chamada de A Última Guerra. A guerra que selaria o fim da humanidade. Isto não interessa a ninguém, por isto é pouco provável que ocorra. Contudo, a probabilidade de guerras menores é maior.

Pode ser que estas também não ocorram. Este é pior cenário e, por enquanto, não é o mais provável. Pode parecer alarmista demais ligar uma queda na bolsa a uma guerra, mas devem ter chamado Huberman de “alarmista” também, mas não é à toa que seu livro é impresso até hoje. Aprendamos com os geniais, sejamos menos otimistas e tolos e mais realistas.

Mas torçamos e cuidemos para que não ocorram guerras. Se ficarmos vivos, o pior que pode nos acontecer é vermos murcharem nossos sonhos de prosperidade fácil, é termos que trabalhar mais para efetivar nossos projetos – alguns deles, os mais caros, terão que ser cortados da lista, é claro.

De qualquer forma, não creio estar sendo pessimista, agora, ao repetir John Lennon e o padeiro da esquina: “O sonho acabou.”

Alguns anos depois…

Não acredito que esta será a última grande crise mundial (caso a III Guerra não nos varra do mapa, é claro). Aos poucos a rigidez econômica e protecionista dos governos se afrouxará. Os meninos de Wall Street (quer esta esteja ainda nos EUA ou na China, ou quem sabe, na Bovespa), daqui a algumas décadas, serão novamente cegados pela ganância e pelo otimismo. O passado terá virado história e, na cabeça deles, não se repetirá. Humanos, demasiado humanos, seus corações transbordarão de euforia ao verem um índice subir 10% em um dia. E ordenarão que se compre, compre, compre…

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Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível no futuro?

6 comentários em “Série Crise de 2008 (parte 4): qual o pior cenário possível no futuro?”

  1. Um complemento:

    A vindoura eleição presidencial americana pode definir a ocorrência ou não deste cenário mais obscuro. Se eu fosse iraniano e McCain ganhasse, sairia de Teerã no dia seguinte à sua vitória. Se Obama ganhasse, eu esperaria mais um pouquinho. O próprio Obama pode não suportar a pressão – olho para ele hoje e vejo um sério candidato a levar uma bala na cabeça, como Kennedy, caso resolva peitar os senhores da guerra.

  2. Que texto excelente (todos eles). Ótima comparação.

    Eu achava que conhecia a história do crash de 29, mas não conhecia quase nada.

  3. Karl Heinrich Marx,foi um dos maiores intelectuais do século XIX, e suas idéias são discutidas até os dias atuais. Marx ja previa as grandes guerras que seriam geradas pelo capital, e, segundo ele sempre haverá uma crise cíclica do capitalismo,e quando as grandes massas forem afetadas ao extremo a ponto de se revoltarem,a burguesia fará uma nova ordem do capital,e assim sucessivamente. Pois esse é o sistema capitalista.Não obstante, haverá guerra sim, pois são elas que alimentam as grandes potências beligerantes,porque é o mercado das armas que move as grandes economias,portanto um mundo de plena paz é utópico,e impossível.Assim,Marx pode ter sido utópico ao pensar o comunismo, mais foi um gênio ao enxergar todas as consequências do sistema capitalista.

  4. Danielle,

    sou tão ignorante que nem sabia que o nome do meio de Marx era Heinrich.

    Abraços do Alessandro.

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